Quando falamos do embate entre armazenamento em nuvem vs as tradicionais fitas, o assunto já parece encerrado – afinal de contas, a princípio a nuvem é a opção mais inovadora, segura e otimizada, certo? Bem, não é tão simples assim. 

De fato, arquivar dados em cloud traz vantagens imbatíveis, mas as fitas ainda têm o seu lugar. Esses dispositivos continuam a desempenhar um papel importante nas empresas, e não apenas porque são alternativas já testadas e aprovadas para backup e arquivamento

A seguir, saiba quais são as vantagens e as desvantagens de cada uma das mídias (e como sua empresa pode se beneficiar com a melhor escolha)! 

Características do armazenamento em fitas magnéticas 

Mesmo que cada vez mais negócios estejam movendo seus dados para a nuvem, as fitas contam com atributos específicos que as diferenciam de outras mídias – e essas características continuam a ser consideradas pelos gestores. 

Utilizadas desde os anos 1950, elas permanecem sendo um componente-chave para o backup, a recuperação e o arquivamento de dados. Afinal, estes são processos nos quais o armazenamento offline de arquivos pode ser uma grande vantagem. De fato, vale reforçar que as fitas magnéticas são aplicadas somente para armazenamento off-site, isto é, fora do ambiente de trabalho, em localização externa à empresa. 

Esta, inclusive, é uma das razões pelas quais as fitas continuam jogando a favor das práticas de disaster recovery: dados que são isolados do ambiente da TI são mais resilientes a problemas causados por erros de código ou panes em aplicações

Não por acaso, as organizações também estão apostando nas fitas, que ainda oferecem um alto grau de proteção contra o ransomware, a maior ameaça cibernética dos últimos tempos. Sem “contato” com sistemas e aplicações, essa forma de armazenamento não está vulnerável à contaminação deste e de outros malwares. 

Saiba Mais: Backup local x Backup na nuvem: vantagens e desvantagens 

Fitas magnéticas: e quanto aos custos? 

A esfera financeira também pode ser considerada vantajosa quando o assunto é o armazenamento em fitas. A infraestrutura física de TI, incluindo hard drives e servidores internos, continua a subir de valor – e sua capacidade atualmente atingiu o limite de 16TB por disco. 

Por outro lado, o armazenamento em fitas teoricamente não tem limite, desde que o usuário conte com um sistema robusto para estocar e gerenciar os cartuchos. E, embora os sistemas de fitas continuem relativamente caros (o que pode ser um problema especialmente para os negócios de menor porte, com orçamento reduzido), os custos incrementais de aumentar a capacidade das fitas é bem menor do que aquele de um armazenamento em discos. 

É interessante acrescentar, ainda, que os gastos com a mídia (uma vez que a empresa já tenha adquirido o hardware para fitas) se mantêm baixos. Enquanto sistemas de discos e servidores demandam custos com energia e refrigeração adequada, as fitas podem ser estocadas em um escritório comum sem maiores problemas. 

Nesse cenário, esse baixo custo de manutenção de vida útil das fitas as transforma em uma forma de armazenamento de dados de longo prazo – e que pode ser aplicada a negócios de diferentes segmentos. 

As desvantagens e os problemas do armazenamento em fitas 

Agora que conferimos os benefícios de se armazenar dados em fitas magnéticas, é importante também ressaltar a face crítica da questão. Uma das maiores desvantagens, nesse sentido, é que o backup em fitas é um processo extremamente manual. 

Além de todo o trabalho humano (que demanda tempo e esforços) para carregar e descarregar os dispositivos, há ainda o fato de que as fitas podem ser perdidas ou danificadas. Embora fornecedores tenham criado bibliotecas automatizadas de fitas, essas tecnologias são onerosas e mecânicas. 

O advento da automação (tão marcante no armazenamento em nuvem), inclusive, basicamente transformou as fitas em meros sistemas de estoque de dados. A escolha pela mídia pode funcionar em empresas que precisam manter suas informações armazenadas por longos períodos de tempo – acessando-as apenas ocasionalmente – , ou mesmo para dados secundários (como informações de pesquisas científicas). Ainda assim, mesmo os sistemas de bibliotecas de fitas precisam de gerenciamento manual. 

Vale ressaltar também que a fita é lenta, especialmente para os processos de backup e recuperação. Sistemas baseados nessa mídia (mesmo com todas as vantagens já mencionadas) têm dificuldades para cumprir objetivos e métricas de tempo de recuperação de dados – idealmente, é claro, esse tempo deve ser o menor possível. 

Na prática, se for necessário restaurar um extenso banco de dados de fitas magnéticas, é bem provável que o negócio fique inativo ou prejudicado por um longo período. Por esse motivo, esses dispositivos não têm ido de encontro às necessidades de performance requeridas por muitas empresas nos dias de hoje. 

Diante das demandas de mais desempenho, mais velocidade e mais capacidade, o recomendado é que as organizações apostem em sistemas híbridos de backup e armazenamento, apostando nos dispositivos físicos mas também nas plataformas online. Cada vez mais, entra em cena o investimento no backup e recuperação via nuvem

Leia Mais: Armazenamento de dados na nuvem: 5 precauções importantes 

Afinal, o armazenamento em nuvem é o “meio-termo” ideal para a questão? 

À primeira vista, o armazenamento em nuvem realmente surge como a alternativa óbvia para a fita. Em certos termos, de fato é. Provedores mundialmente reconhecidos de ferramentas de backup e recuperação (como a Acronis) agora apostam em ofertas de soluções baseadas na nuvem. 

Com isso, o objetivo é fazer com que o backup offsite, levado para a nuvem, seja realmente transparente para o usuário. 

No entanto, nem todos os produtos de backup podem ser diretamente integrados ao armazenamento na nuvem – e nem todos atuam da mesma forma, o que pode ocasionar problemas operacionais. Nesse cenário, os gestores de dados devem se assegurar de que as aplicações do negócio, os produtos/serviços de backup e os provedores de soluções na nuvem sejam compatíveis, além de oferecer as garantias adequadas para uso (níveis de serviço)

No que diz respeito ao armazenamento em cloud, também há possíveis desvantagens. Uma delas, surpreendentemente, pode ser o custo. Embora o valor por gigabyte utilizado na nuvem seja baixo, o serviço inclui taxas mensais ou anuais, que podem se somar progressivamente. Há também os custos adicionais de capacidade para acessar ou restaurar dados. 

Apesar de ser difícil generalizar a análise, vale mencionar uma estimativa interessante da empresa ProStorage: calcula-se que o armazenamento em nuvem geralmente é viável e vantajoso para negócios que armazenam até 50TB de dados a longo prazo. Acima desse valor, as estatísticas favorecem o uso das fitas

Um outro possível ponto negativo é o tempo necessário para mover volumes significativos de dados para a nuvem. Na nuvem pública, a velocidade de upload de dados prossegue sendo um desafio. Nessa perspectiva, empresas novas ou de menor porte (ou mesmo empresas que já fazem uso de aplicações na nuvem) terão mais facilidade para mover backups ou arquivos para o ambiente cloud. 

Por sua vez, as organizações que possuem volumes substanciais de dados in loco encontrarão mais praticidade ao mover essas informações de forma gradual para a nuvem – ou mesmo aliando a nuvem a dispositivos físicos, incluindo discos e fitas

Por fim, é importante destacar que o embate armazenamento em nuvem vs fitas não pode ser finalizado com uma resposta única para todas as empresas. Enquanto as necessidades e objetivos de cada negócio podem apontar para a escolha de uma ou de outra mídia, a escolha por optar por ambas tem se mostrado vantajosa para grande parte das organizações. 

Esperamos que tenha gostado do conteúdo! Agora, que tal saber mais sobre a modalidade que combina o armazenamento em fitas (ou discos) e o ambiente cloud? Clique aqui para conferir o que é backup híbrido e por que é interessante apostar na solução! 

Fonte do conteúdo: Computer Weekly

Créditos da imagem de destaque: slidesgo

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