A família do ex-piloto alemão Michael Schumacher receberá uma indenização de 200 mil euros (cerca de R$1,1 milhão) por entrevista gerada por inteligência artificial (IA) publicada em revista da Alemanha.
A publicação Die Aktuelle lançou uma reportagem de capa em 2023 sugerindo que o veículo havia conseguido uma entrevista exclusiva com o multi-campeão de Fórmula 1. Schumacher não é visto em público desde que sofreu uma lesão no cérebro decorrente de um acidente de ski em 2013.
A manchete divulgada dizia: “Michael Schumacher: a primeira entrevista”. Abaixo, em fonte pequena, vinha a frase: “Parecia enganosamente real”.
Os impactos éticos e morais da IA
A entrevista falsa foi tão ambígua quanto a manchete, esclarecendo apenas ao final que as respostas do piloto haviam sido geradas por um chatbot baseado em IA.
O conteúdo também sugeriu que a entrevista poderia ser real, declarando: “Foi o próprio Schumi quem digitou as informações direto da cama? Ou foi alguém da família, uma enfermeira ou funcionário?”.
A entrevista fake gerou indignação pública e foi considerada “nojenta” pelos críticos. O Conselho de Imprensa Alemão, órgão de fiscalização da ética, afirmou: “Este grave engano dos leitores provavelmente prejudicará a credibilidade da imprensa como um todo.”
👉 A família de Schumacher moveu um processo contra o grupo de mídia Funke, que edita a revista em questão. O grupo pediu desculpas e declarou que “este artigo enganoso e de mau gosto jamais deveria ter sido publicado.”
A editora-chefe da revista, Anne Hoffman, foi demitida 2 dias após a publicação da entrevista. Hoffman processou o grupo de mídia pela demissão e ganhou o caso no tribunal trabalhista de Munique, de acordo com informações da revista online Übermedien.
A defesa alegava que a demissão da funcionária foi desproporcional. O grupo de mídia Funke apelou da decisão.
Com informações de: CyberNews
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